quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Um natal diferente



Ei você já foi às compras? Eu imagino a correria nesse final de ano, hem. Como é difícil administrar tantas listas, de compras, de presentes, de eventos de confraternização, de convidados que irá receber na noite da ceia de Natal. Ô não se pode esquecer a lista dos reparos que devem ser feitos em casa, afinal os amigos e familiares devem ser bem acolhidos. Eita ainda tem os cuidados pessoais, agendar salão e sair na busca da roupa ideal para arrasar na noite feliz.  

Essa época do ano é assim, embora para muitas pessoas seja período de férias, este é um período de muita sobrecarga, afinal é uma responsabilidade e compromisso com sua família e seus amigos em dar o seu melhor a cada ano. Mas eu as convido para vivermos um natal diferente. Não estou dizendo que os encontros familiares não devam acontecer, nem que você não deva estar bonita com uma roupa legal. Isso não é pecado, e não faz mal a ninguém. O próprio Deus diz em sua palavra: “Se quiserdes e ouvirdes comerás o melhor desta terra”. O desejo Dele é de nos abençoar em tudo para que desfrutemos de sua maravilhosa graça. Mas é do nosso conhecimento também que vivemos em uma sociedade marcada pela desigualdade social. O retrato de uma noite de natal pode ser pintado de várias óticas diferentes. Em um quadro a abastância e em outro a carência, isso em ambientes muito próximos.  

A Igreja Internacional da Renovação – IIR está promovendo uma ação que irá abençoar mil crianças no setor Taquari, em Palmas, com distribuição de presentes no sábado, 20, com o intuito de promover um natal diferente, o natal da solidariedade e do amor ao próximo. São crianças atendidas pelo Projeto “Meninas de Deus”, menores que vivem em uma realidade muito triste, algumas vítimas de abuso, outras envolvidas no mundo das drogas vindas de uma vida marcada pela desestrutura familiar. Talvez você pense que um presente não vai mudar a vida de uma criança. Realmente somente o presente em si, não muda. Mas os sentimentos que levam esses presentes até elas sim. Amor, atenção, carinho, a sensação de sentir-se amada rompe com as barreiras da rejeição, que é a maior causa da rebeldia que assola a nossa sociedade enchendo presídios e clínicas de terapia para tratamentos de transtornos mentais.  O presente pode não mudar, mas se este for entregue com amor haverá mudança sim, pois, onde o amor reina tudo é modificado e restituído. 

Convido–lhe a checar a sua lista de final de ano, nela contém algum gesto ou ação de solidariedade? Talvez você pense, eu bem que gostaria, mas são tantos gastos não tenho dinheiro para comprar nada a ninguém. Volto a insistir na checagem da lista, mas dessa vez é para observar os itens que tem nela, enumere-os por prioridade, depois de feito isto, substitua os últimos itens por uma ação de solidariedade. Não precisa destinar o recurso para muito longe, dê uma volta no quarteirão de sua casa, vá a um abrigo de crianças ou de idosos, o que não falta são pessoas carentes de coisas e de atenção. Neste Natal não queira presente, seja presente. Que o brilho das luzes de Natal não ofusque o brilho do amor em nossos corações e nem ceguem nossos olhos para a necessidade do próximo. Então, vamos às compras?

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Voltando para casa no ombro do bom pastor


 

“Não temerei mal algum, porque tu estás comigo” Salmo 23:4

Imagine-se num campo de batalha, você solitário numa guerra e diante de ti surge um gigante. Na sua primeira tentativa de guerrear contra ele você é lançado ao chão. Em meio a dor você olha para o seu peito e o encontra todo ferido e cortado. Puxa que estrago! Talvez você pense que o texto deste post seja uma sinopse de um filme de terror, porém, ele não tem nada a ver com uma ficção, na verdade  esta é uma história muito real que não retrata o mundo físico, mas sim, o mundo espiritual. Se você fosse convocado para uma guerra, você se levantaria do lugar onde está e dirigia-se ao campo de batalha sem nenhuma armadura ou proteção? Seria um ato de tremenda loucura, não é mesmo? Mas isso acontece frequentemente. Muitas pessoas seguem em suas vidas sozinhas achando que os obstáculos que terão de enfrentar serão vencidos com a força do seu próprio braço, e vão adiante, quando veem o tamanho do gigante muitas caem no chão antes mesmo de encarar, outras em sua rebeldia o enfrenta, porém são derrotados e lançados ao chão. E uma vez estando ali no chão, caem em si: “Puxa eu preciso de um exército, eu preciso de um general”.

A ilustração refere-se a um soldado, mas pode ser substituída por uma ovelha sem rebanho, sem pastoreio. Recordo-me quando entreguei a minha vida a Jesus. Fui convidada por uma amiga para participar de uma festividade de sua igreja, foram dias sobrenaturais, a paz de Cristo era sentida naquela atmosfera de louvor e de adoração. Mas houve uma noite que ficou marcada, eu que estivera atenta a todas ministrações fui tocada de uma maneira especial pelo Espírito Santo de Deus. O preletor da noite ministrou o salmo 23, o Salmo do Bom Pastor. Ele fez uma comparação dos pastores com seus rebanhos e de Cristo, o bom pastor com suas ovelhas. Citou que os pastores arriscavam suas vidas na luta contra feras do campo para que não comessem seus animais, e do bom pastor que deu a vida por suas ovelhas. Mas foi com o versículo “A tua vara e teu cajado me consolam” (23:4) que o Senhor apoderou-se do meu coração. O ministrante falou do uso da vara nas perninhas da ovelha que os pastores faziam para que elas não fugissem e não saíssem do rebanho. Era uma correção com intuito unicamente de protegê-las, pois uma vez fora do rebanho, esta tornaria-se presa fácil ao lobo devorador. Assim era Jesus conosco, muitas vezes era necessário o uso da vara de correção não com intenção de ferir, até porque como Ele poderia maltratar seu rebanho se a este mesmo Ele deu sua vida. Como eu não creio no acaso e sim na providência divina, justamente naquela noite eu era a última da fileira de cadeiras, não havia ninguém do meu lado direito, e eu senti uma ardência na minha perna direita, então tive a convicção de que eu estava recebendo a correção do Bom Pastor. Naquele mesmo dia O confessei Senhor e Salvador da minha vida.  

Na bíblia o Senhor nos trata como ovelhas, o próprio Jesus é citado como “cordeiro”, pois foi sacrificado para remissão de nossos pecados em um tempo em que  se sacrificava ovelhas para purificação de um povo. Somos todos, ovelhas porém nem todas estão no rebanho do bom pastor. Algumas decidiram andar solitárias pelo campo outras optaram por seguir viajantes deste mundo que afirmam conduzi-las à morada de Deus, porém no evangelho do nosso irmão João o próprio Jesus diz: “Ninguém vai ao Pai senão por mim” (João 14:6). Como pode alguém conduzir um rebanho a um lugar que não conhece, senão aquele que de lá veio e pra lá retornou? Somente Jesus Cristo, o bom pastor conduz as ovelhas para a habitação do Altíssimo, não há outro intermediário.  

Quando recebi o diagnóstico da tripofobia (fobia de imagens que contêm formas geométricas com algumas cavidades que provocam ascos na pele) foi uma experiência terrível. O último estágio dessa doença proporcionava náuseas e ânsia de vômito e era exatamente o nível em que me encontrava. Inúmeras vezes eu corria em direção ao chuveiro e esfregava os meus braços, pois parecia que aquilo realmente estava em mim. Na época procurei uma psicóloga e ela me disse que aquilo não tinha cura, eu deveria fazer terapia para controlar as crises. Eu estava desprovida de condições financeiras para realizar um tratamento desses. Mas como já havia entregado a minha vida ao Senhor, eu cri Nele e orava para que Ele me curasse. Quando participei de um encontro promovido por minha igreja recebi do Senhor a revelação do que estava associada aquela fobia. Mas continuei em oração para que houvesse a confirmação, e ela veio do altar do Senhor. Tive a oportunidade de participar de um Seminário de Aconselhamento Cristão no ano passado e recebi a seguinte resposta da psicóloga cristã que ministrava o seminário: “Toda fobia são traumas não curados até os seis anos de idade”. Essa era a confirmação de que precisava, o que o Senhor falara ao meu coração naquele encontro era sobre algo que ocorrera em minha vida justamente naquela faixa etária.  A partir de então comecei a orar e entrar em propósito clamando ao Senhor por cura. Eu vivi momentos muito dolorosos, pois mexer em traumas é revivê-los, mas esse processo era necessário até mesmo em cumprimento ao que palavra de Deus diz “Fez a ferida e a ligará” (Oséias 6:1), aquelas feridas precisavam ser restituídas, ser abertas, vir a tona para poder ser tratadas e então curadas.

A cura de traumas por abuso é um processo com várias etapas: o impacto (trazer a tona o fato em si traz choque, vergonha, ansiedade e medo) a negação (quando se tenta colocar o trauma de lado, ignorá-lo, fazer de conta que aquilo não fora nada e que se pode viver normalmente) e a etapa da confiança, onde finalmente a vítima precisa falar a respeito de suas memórias, expressar seus sentimentos, lidar com os sentimentos de culpa e raiva a outra pessoa. No meu caso a pessoa de confiança foi o próprio Espírito Santo, era nos pés do Senhor que eu confiava todas as dores daquelas lembranças e falava em oração para que eu pudesse receber alívio emocional. Compartilho esse meu testemunho para glorificar e exaltar o nome Dele, pois foi Deus quem me fez encarar a dor do trauma, confrontando-me para que eu fosse liberta daquele cativeiro em que vivi toda a minha vida. E por falar em vida nesse estágio enfrentei o período mais difícil de todo o processo, a crise de identidade, eu que sempre me achava muito autêntica em minha personalidade, ao encarar o passado me senti desnuda diante do mundo, pois muito do que eu assegurava ser da minha personalidade era na verdade mecanismos de defesa. Então orava ao Senhor e pedia para que Ele me mostrasse da forma como Ele me via, como um espelho que refletisse a minha imagem segundo a Tua visão. E o Senhor me respondeu com uma visão, nela havia um homem com uma criança em seu ombro, uma imagem que me parecia bem conhecida, a medida que aquela imagem ficava nítida consegui me reconhecer na imagem, eu era a menina com um penteado estilo “Maria-chiquinha” com um sorriso no rosto, mas o homem eu tive ainda muita dificuldade em reconhecer, embora o rosto não fosse estranho, foi necessário muito esforço para discernir. Depois de algum tempo consegui recordar. Quando criança tinha uma bíblia infantil e na página onde era mencionada a parábola da ovelha perdida havia uma imagem daquele homem com uma ovelha em seu ombro. Pedi a revelação daquela imagem ao Senhor, o que Ele queria me dizer através daquilo tudo, e então o Espírito Santo falou em meu coração: “Você é minha filha amada e eu estou te levando de volta para casa”. E ele me trouxe a lembrança da noite em que confessei Jesus. O Bom Pastor deixa no campo em segurança suas ovelhas e sai no resgate da sua ovelha perdida. Não sabia do impacto do meu “SIM” a Jesus no mundo espiritual. Aquela minha declaração fora o meu grito de socorro, e Ele se voltou para resgatar a minha alma e livrá-la do cativeiro. A partir desse dia entramos na terceira etapa do processo de cura, que é a etapa da reconstrução da vida, pois naquele dia o Senhor me disse a única coisa que eu precisava saber, do amor Dele por mim, e que mesmo passando por momentos dolorosos eu estivera em seus ombros. Quem pode nos amar de tal maneira? Somente o Bom Pastor, aquele que dá a vida por suas ovelhas. 

Eu não sei onde você está nesse momento ovelha, talvez num vale ou perdida num campo, talvez o seu pé esteja preso em buraco (pecado) o qual você não consegue se soltar, mas como serva do Senhor venho lhe dizer que sem que seja necessário você sair do lugar em que está,  você pode dar o seu grito por socorro confessando-O como o Senhor e Salvador de sua vida. Talvez você leia e fale eu amo Jesus, eu já O conheço. Mas a bíblia diz que “Se confessar com a sua boca que Jesus é Senhor e crer em seu coração que Deus o ressuscitou dentre os mortos será salvo” (Romanos 10:9). Confessar quer dizer afirmar, expor ou revelar algo, mas a palavra diz “com a sua boca” e“crer em seu coração”. Talvez você o tenha em seu coração, porém não o tenha confessado com o seus lábios. Se sentir tocado a fazer isso neste momento você poderá fazer essa oração em voz alta, e então o bom pastor irá resgatar você.

Senhor Jesus eu preciso de Ti, confesso-te o meu pecado de estar longe dos teus caminhos. Abro a porta do meu coração e te recebo como meu único Salvador e Senhor. Agradeço-te porque me aceita assim como eu sou e perdoa o meu pecado. Eu desejo estar sempre dentro dos teus planos para minha vida, amém”

Reconhecer a Jesus como Salvador é concordar que é pecador e precisa de salvação, pois foi para isso que Ele veio ao mundo para libertar cativos (Lucas 4:19), e aceitando O como Senhor você renuncia a tudo que ocupa o lugar Dele em sua vida. Mas esta oração não deve ser feita da boca pra fora, lembre-se é necessário “crer em seu coração” (Romanos 10:9) e ninguém melhor que Aquele que conhece o oculto e o profundo do nosso coração para saber a veracidade da sua fé.  Eu vim de um conceito de que era necessário pagar quando recebia uma benção, inclusive quando pedia ao Senhor a cura eu me comprometi a servi lo enquanto vida tivesse. Mas Ele não quer que eu O sirva como quitação de promissória, ele quer que eu cumpra com o propósito para qual fui criada, até porque “O que darei ao Senhor por tantos benefícios?” não há quitação, reconheça O e desfrute da salvação e da vida eterna.    

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Já bebeu água hoje?






Desculpe-me a falta de originalidade, mas fui obrigada a colocar esse lembrete na minha geladeira. Não me alegro ao afirmar que tenho preguiça de beber água, mas isso é fato, e como uma cafecolátra assumida sempre substituo o líquido incolor pelo pretinho. O baixo consumo de água já trouxe sérios problemas ao meu organismo, por isso venho buscando me disciplinar. Eu sou muito curiosa e gosto de aprofundar no conhecimento de algo do meu interesse, na minha meta de me alimentar de maneira mais saudável descobri (ou aceitei, seria essa a melhor palavra a ser usada) que a água é o alimento mais saudável. Na busca por mudanças de hábitos e de atitudes no que se refere a alimentação reuni algumas  informações acerca da importância do consumo adequado de água e resolvi compartilhar com vocês. Antes de seguir faço uma perguntinha “Já bebeu água hoje?”, “na última hora?”, “nos últimos minutos?” Ops ... foi mais de uma pergunta! Sorry! No final você irá compreender! 

Existem pessoas que não sentem tanta sede e pensam que não tem problema algum em ingerir pouca quantidade de água. Engana-se quem pensa que a água serve apenas para matar a sede. A deficiência constante desse líquido pode causar sérios problemas no futuro e pôr em risco a nossa saúde.  A água é utilizada para digestão, para absorção e para o transporte dos nutrientes em nosso organismo. Ela reduz a toxidade do corpo, ajuda no processo de excreção e a manter a temperatura estável do corpo. A água proporciona uma camada protetora para as células do corpo e, sob forma de líquido amniótico protege o feto em desenvolvimento.  Ela é necessária à formação dos tecidos do corpo, fornece base para o sangue e mantém a elasticidade e maciez da pele. 

Com o envelhecimento a nossa pele começa a ressecar cada vez mais, devido o fluxo reduzido do sangue. Quanto mais jovem a pessoa, maior a quantidade de água que tem em seu corpo. Em média, as crianças têm 75% do seu peso formado por água, enquanto o adulto tem apenas 53%, (para os homens) e 46% (para as mulheres). Isso significa que, quanto maior a quantidade de gordura no corpo, menor a quantidade de água. Esse fato é importante porque, no caso das crianças, qualquer perda de água no corpo vai afetar profundamente o peso e o metabolismo, isso as torna mais suscetíveis a problemas como a desidratação ao adoecerem, pois perdem muito liquido com febre, vômitos e diarreias. 

Além da perda de líquidos por meio da febre, vômito e diarreia, o corpo humano perde água de outras formas também, através dos rins em forma de urina, como parte das fezes, através do processo de respiração e através da transpiração. Podemos verificar que a ingestão de água está insuficiente simplesmente observando nossa urina. Quando isso ocorre, os rins tentam compensar conservando a água e, portanto excretam uma urina mais concentrada, com coloração amarelo mais acentuado. Um baixo consumo crônico de água aumenta o risco de cálculos renais ou cálculos na bexiga. 

Segundo estudos a quantidade de água perdida por dia deve ser reposta para manter a saúde e a eficiência do organismo. Em geral, adultos devem consumir 35mL/Kg de peso, crianças 50 a 60mL/Kg de peso e lactentes 150mL/Kg peso. Isto quer dizer que se uma pessoa pesa 70Kg ela deverá ingerir diariamente cerca de 2,5L de água. Sucos, refrigerantes, chá, café e os alimentos contém água. Mas segundo os especialistas, a pessoa deve dar preferência à água pura. E aí, qual tem sido o seu consumo de água por dia? 

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Da caverna ao esconderijo do Altíssimo



 
“E dar a todos os que choram em Sião uma bela coroa em vez de cinzas, o óleo da alegria em vez de pranto, e um manto de louvor em vez de espírito deprimido. Eles serão chamados carvalhos de justiça, plantio do Senhor, para manifestação da sua glória”. Isaías 61:3

Era uma manhã de sábado eu e o meu filho estávamos a caminho de casa, próximo à rua em que transitávamos uma loja de móveis realizava uma ação promocional com muita queima de fogos de artifícios. O meu filho desde bebezinho tem medo do barulho desses tipos de fogos. Quando ainda era bem novinho que alguém soltava fogos próximo de onde estávamos, eu batia palmas e dizia a ele que onde tivesse fogos de artifícios tinha festa, alguém estava feliz e comemorava algo, então deveríamos bater palmas também. Às vezes a técnica funcionava, outras vezes não. Até hoje ele ainda demonstra medo com esse barulho e nesse dia ele me disse que estava com muito medo e, eu para acalmá-lo repeti o mesmo discurso de que não era preciso desesperar que as pessoas estavam apenas comemorando e que os fogos estavam lá no céu e não iria chegar até nós. Ele virou-se para mim e disse: “Mãe só me protege, por favor,” eu prometi protege-lo, então ele pegou a minha mão e passou em volta de seu ombro e disse: “É para me proteger assim mãe, não tira o seu braço porque eu estou com medo”. Neste instante eu me segurei para não sorrir, não do seu medo, mas da sua inocência, ele não sabia, mas, aquele meu braço não representava nenhuma proteção física dos fogos que estouravam no céu.  Devido o seu medo ele permaneceu calado durante todo o percurso, aquele silêncio todo me trouxe uma reflexão sobre nossa necessidade de sentirmos guardados quando ficamos amedrontados. 

Às vezes quando estamos em uma situação em que o medo nos acomete muitos querem convencer-nos de que não temos motivos a temer.  Mas há determinados momentos que não é uma palavra que vai nos ajudar, o que precisamos é apenas de um braço que nos envolva para que possamos sentir protegidos.  Às vezes o medo é consequência dos nossos próprios atos, e muitos se levantam contra nós com sermões deixando-nos pior do que estávamos. Deus em sua infinita sabedoria sabe discernir o que precisamos, quando é necessário Ele mesmo nos fala ou usa outras pessoas para nos repreender e corrigir. Mas Ele sabe também dos momentos em que precisamos apenas de proteção, então Ele nos põe em Teu colo até que todo o medo passe. Sentir medo é comum do ser humano, por mais que a nossa fé esteja firmada ainda assim em alguns momentos o medo rugirá e fará com que fiquemos  acanhadinhos e saímos em busca de um refúgio para nos esconder. É sobre o lugar em que refugiamos quando estamos com medo que iremos falar no post de hoje.  

Elias foi um dos profetas a quem o Senhor revestiu de poder e autoridade. Foi ele quem levou uma palavra de julgamento contra o rei de Israel, Acabe e sua esposa, Jezabel por terem levado a nação israelita à idolatria. Ele profetizou que nem orvalho e nem chuva haveria de cair naquela terra (1 Reis 17:1) e então a seca se abateu durante três anos e meio. Isso provocou a ira do rei que influenciado por sua esposa começou a persegui-lo com intenção de matá-lo. E então Elias um profeta que havia enfrentado sozinho mais de quatrocentos profetas de Baal (deus a quem os israelitas estavam adorando por influência do rei Acabe) deixou-se intimidar pela rainha Jezabel e fugiu para o deserto.  

No deserto Elias sentou-se debaixo de um pé de zimbro e pediu a morte (1Reis 19:4) É difícil compreender como alguém com tamanha intimidade com o Senhor chegue a tal situação, sendo um profeta ele poderia liberar uma palavra de benção que poderia mudar sua situação. Mas não foi o que houve. Mesmo sendo um homem muito usado por Deus, Elias não se eximiu do medo e da depressão. Ali debaixo da árvore ele dormiu e foi acordado por um anjo de Deus que havia levado comida para que ele se alimentasse. Elias comeu e deitou-se novamente. Pela segunda vez o anjo do Senhor o acordou para que ele comesse novamente pois, ele teria um longo caminho a seguir e precisava de forças. Elias comeu e seguiu pelo deserto e com a força daquela comida caminhou quarenta dias e quarenta noites até o Monte de Deus, chegando lá avistou uma caverna e entrou dentro dela e foi nesse momento que o próprio Deus o perguntou o que fazia lá.  

Uma pessoa com depressão evita a companhia de outras, a impaciência e a irritabilidade impossibilita o bom convívio, dessa forma a solidão passa a ser a opção mais agradável a pessoa depressiva. Quanto menos luz no ambiente melhor, segundo estudos o ambiente em que vive uma pessoa retrata a sua mente, logo uma mente que se encontra em trevas vai refugiar-se em lugares escuros. Quando refiro a “trevas” para retratar o estágio da mente de uma pessoa que encontra em estado de depressão, é um comparativo, pois treva é ausência de luz, a depressão é ausência de motivação, de esperança e de expectativa acerca da vida, por isso é comum que a pessoa faça questionamentos em relação a sua existência, pois falta luz, falta vida. A depressão é um problema de saúde pública, é considerada como o mal do século, seguida pela síndrome do pânico. Estima-se que 30% da população sofra com esta doença sem saber, pois muitos têm dificuldades em reconhecê-la, pois os seus sintomas podem ser apontados por outros como “frescura” “preguiça” ou desculpa para não assumir responsabilidades, com medo de críticas a pessoa não busca ajuda e acaba se escondendo dentro da caverninha. A depressão é uma doença séria e pode dar legalidade a problemas muito maiores como o suicídio por exemplo. 
   
Eu convivi com a depressão por muito tempo, embora não quisesse aceitar que tinha essa doença chegou um momento que tive que encará-la, pois a caverninha estava apertada demais a ponto de me tirar o fôlego. O Senhor chamou-me a trata-la, durante esse período assim como fez com Elias, ele me supriu em tudo. As ameaças malignas aumentam de acordo com a nossa fragilidade. De repente todo o mal que nos cerca aparenta ser muito maior do que tudo o que já vivemos e conquistamos em Deus na nossa vida, questionamos nossa força e até mesmo a autoridade que o Senhor nos deu. Eu não recorri a nenhum profissional para obter ajuda na cura da depressão e de outras coisas que na época vinha sofrendo, por um tempo era por ausência de recursos financeiros, mas depois de receber uma palavra de Deus onde o Senhor me disse que só Ele poderia me curar, pois Ele não aceitava dividir Sua glória com ninguém, eu confiei. Fortes essas palavras, né? Sim, foram elas que me sustentaram.  Durante esse período, eu meditava em Sua palavra e repetia em voz alta as promessas que estão na bíblia que são herança para os filhos do Senhor. E um fator que me ajudou muito foi o louvor e a adoração, nos momentos mais difíceis eu O louvava e O adorava. O louvor era para que Deus sentisse que mesmo em meio a tudo o que passava eu acreditava em suas promessas, e, a adoração era que independente das circunstâncias Ele era Soberano em minha vida. São essas duas atitudes que o Senhor espera de nós, que confiemos Nele e que exaltemos Sua santidade, pois fomos criados para adorá-lo. Quando cumprimos com o propósito para qual fomos criados, Deus se encarrega de fazer o resto. Ele mesmo revelou-me os motivos pelos quais me levavam à constante depressão, e Ele mesmo trouxe a cura. Mas isso só foi possível quando eu tomei a decisão de sair da caverninha e busquei refúgio no esconderijo do Altíssimo. No Altíssimo encontramos sombra (descanso) e fortaleza (ânimo renovado).  Nenhum mal chega até nós, porque anjos de Deus nos cercam. Lá recebemos o alimento de Deus (o amor e a graça) para que possamos seguir a nossa caminhada. 

Eu resolvi falar desse tema, pois certa vez conversava com uma pessoa acerca de uma conhecida que estava com depressão e ela me disse que um profissional indicou que a mesma ouvisse música como tratamento à doença, pois a música fala diretamente ao sistema do cérebro responsável pelas emoções, motivação e afetividade. Disfarçadamente dei uma piscadinha pra Deus, o meu “paisicólogo” pois juntos percorremos o caminho certo. Outro fato que motivou este post foi acompanhar na internet uma história que me deixou muito triste , a do padre Marcelo Rossi que vem lutando contra a depressão. Imagine vocês, enquanto buscava cura louvando ao Senhor, uma das músicas que eu ouvia e cantava em alto e bom som era “Mesmo na tempestade, mesmo que se agite o mar, te louvo te louvo em verdade” justamente na voz do padre mencionado. O grande profeta Elias caiu né, mas fora levantado e concluiu seu ministério aqui na terra para honra e glória do Senhor.  E creio que assim o Senhor fará também na vida dos que aceitarem a doença e buscarem por sua cura.
  
A palavra de Deus diz: “Meu povo se perde por falta de conhecimento” (Oséias 4:6). Às vezes conhecemos apenas o pai consolador e esquecemos que este mesmo pai é provedor, outras vezes o conhecemos como o criador e esquecemos que ele é também psicólogo, mentor e libertador. Na história contada no início deste post o meu filho naquele momento queria apenas a mãe protetora, ele não queria a mãe orientadora ou uma mãe psicóloga com suas técnicas de convencimento. E por falar em mãe, quantas funções são atribuídas a nós, não é mesmo? Mãe, médica, cozinheira, professora, psicóloga, dona de casa. Nós fazemos de tudo para que nossos filhos sejam cuidados e sintam-se amados. Se nós mães que somos falhas e tão humanas somos capazes de fazer tanto aos nossos filhos, imagine o Deus majestoso, misericordioso e infinito em bondade, que nos deu por meio de Seu filho, o direito de chama-lo de Pai. Refugie-se Nele, creia em sua palavra e então verás a glória de Deus em sua vida.  



segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Ei psiu, olhe para mim

Bem mais próximo do que se imagina



“E aconteceu que, estando com eles à mesa, tomando o pão, o abençoou e partiu-o, e lho deu. Abriram-se lhes então os olhos, e o conheceram, e ele desapareceu lhes”. Lucas 24:30-31


Havia se passado três dias desde a morte de Jesus, dois discípulos no caminho de Emaús seguiam tristes de olhos fechados, pois haviam recebido a notícia de que o corpo dele não estava mais no sepulcro. Na madrugada daquele mesmo dia, Maria Madalena, Joana e Maria foram ao túmulo onde seu corpo estava e não o encontrou, a pedra estava revolvida. Elas depararam-se com dois anjos que avisaram que ele não estava lá, pois já havia ressuscitado. As mulheres foram correndo contar aos apóstolos, que não creram em suas palavras. Enquanto seguiam pelo caminho, Jesus aproximou-se deles, e eles não o reconheceram. Vendo a tristeza em seus rostos perguntou-lhes o que havia acontecido, eles pensaram que Jesus fosse algum peregrino, pois toda Jerusalém comentava a respeito da morte e do sepulcro vazio. Mas ainda em meio a dor eles responderam a Jesus, falou sobre a morte na cruz daquele que seria o Salvador, da visita das mulheres ao túmulo e da visão dos anjos. Jesus ouviu atentamente, e em seguida começou a falar-lhes sobre as escrituras, sobre o que disse os profetas sobre a morte e a ressurreição no terceiro dia e eles seguiram ouvindo lhe. Ao chegar à aldeia, eles interromperam a caminhada e Jesus fez como quem ia seguir viagem, então estes vendo que era muito tarde o convidou para passar a noite e cear com eles. Jesus aceitou. Estando todos à mesa, ele pegou o pão deu graças, o abençoou, partiu e entregou a cada um, e foi neste momento que eles o reconheceram, em seguida Jesus desapareceu diante deles. Maravilhados com o cumprimento da profecia eles correram ao encontro dos demais e disseram: “Ressuscitou verdadeiramente o Senhor”.

O ato de fechar os olhos diante uma situação é um sinal de negação. De acordo com a psicologia quando uma pessoa não quer aceitar o que vê ou uma situação em que vive ela tapa os ouvidos ou fecha os seus olhos, como uma forma de negar a realidade. Os discípulos estavam negando a realidade, não queriam enxergar e aceitar o que o próprio Jesus disse quando estavam juntos, que iria acontecer (Lucas 9:22). Apegaram-se tanto a dor da perda e da circunstância que se esqueceram da promessa. A palavra diz que logo após ser reconhecido por eles, Jesus desapareceu. Eles desfrutaram muito pouco da sua presença. Eles estavam ligados ao que ocorrera no plano físico e não no espiritual. Eles sabiam das coisas que os seus olhos podiam ver, um homem traído, morto na cruz, colocado em um sepulcro, cujo corpo eles não sabiam onde estava. Mas no plano espiritual muita coisa ainda estava oculta, uma guerra havia sido vencida. Como um cordeiro, Jesus foi sacrificado para que fôssemos vivificados por Ele. Assim como a morte veio por um homem (Adão), a ressurreição veio também por um homem (Jesus) (1Cor 15:21). Jesus tomara as chaves da morte e do inferno, pisando na cabeça de Satanás, remindo a todos, lavando os do pecado. Se aqueles discípulos estivessem firmados no que diziam as escrituras eles poderiam descansar mesmo em meio a dor, pois sabiam que Jesus ia voltar e viver toda a eternidade. Os seus olhos estariam abertos aguardando que o Messias aparecesse a qualquer momento, e tendo eles a oportunidade de ter a sua companhia durante a viagem, eles poderiam ter ouvido muito mais acerca do Reino de Deus, sobre o que houve nos bastidores no reino espiritual, teriam tido muito mais informação sobre aquela guerra que Jesus acabara de triunfar, ao invés disso eles lamentavam tudo o que estava acontecendo, demonstraram decepção, pois Jesus era a promessa da libertação de Israel, e ele já não estava mais ali.  Então eles seguiram com murmurações e questionamentos, num total apego a dor e ao passado.

Entre tantas passagens da bíblia essa arde em meu coração, pois me trouxe uma experiência muito linda com o Senhor. Era uma tarde de sábado, estava lendo os evangelhos e havia pedido que o Senhor se revelasse a mim, queria conhecê-lo mais para desfrutar melhor de sua presença em minha vida. E foi lendo a respeito dos discípulos que caminharam do seu lado, enquanto lamentavam sua ausência, que o Senhor falou forte em meu coração. “Eu estou aqui do seu lado, olhe para mim”. Em lágrimas ajoelhei-me e adorei ao Senhor ali mesmo na sala de casa. Imagina a emoção dos discípulos quando reconheceram Jesus, ao vê-lo sentado à mesa em um momento de comunhão. Penso eu, que Jesus deve ter dado um sorrisão aos discípulos, tamanha era sua alegria ao ser reconhecido, acredito também que naquela tarde na sala da minha casa não fora diferente. E desde então me atentei a manter os meus olhos abertos para desfrutar de sua presença. E foi assim que consegui a cura de traumas que carregava desde minha infância. Deus expõe e traz a tona tudo o que está oculto, esse processo causa muita dor, mas é necessário, afinal como é possível curar uma ferida sem que antes ela seja limpa e medicada? Quando lembranças indesejáveis vinham a minha mente, eu fechava os meus olhos de imediato, impulsivamente. Quando finalmente eu compreendi que aquela ação era uma forma de negar a realidade, de evitar o confronto, eu me lembrava dos discípulos a caminho de Emaús, aliás, lembrava que o mesmo Jesus que os acompanhou estava do meu lado também, e então eu abria os meus olhos e pedia ao Senhor que completasse tua obra em minha vida, e independente da dor que eu pudesse sentir, que ele não limitasse o seu agir e viesse tratar e curar. Isso sempre terminava em quebrantamento, choro e logo em seguida paz, muita paz. 

A mensagem que o post de hoje nos traz, e que somente ao abrir os olhos eu pude compreender, é que em todo caminho por mais doloroso que seja tem muita aprendizagem, mesmo em meio a dor ou em meio ao vale, a presença de Deus é certa em nossa vida (Salmo 23:4), mas o desejo Dele é de nos ensinar durante o percurso, revelar-se de uma forma mais íntima a nós, por isso devemos abrir os olhos para enxergar o que Ele deseja nos mostrar. Antes de questionar a provação ou o porquê do milagre não ter chegado pergunte a Deus o que Ele tem a lhe ensinar com tudo isso, aproveite cada momento e busque conhecimento e crescimento em tudo. Não faça igual aos discípulos que depois de caminharem na companhia de Jesus puderam desfrutar alguns instantes apenas de sua presença. Lembre-se a presença de Deus em nossas vidas, independente das situações é melhor do que qualquer benção que Ele pode nos oferecer. Não clame a presença do Senhor só para resolver o seu problema ou lhe tirar de um apuro. Ande em comunhão com Ele. O Deus dos milagres e das bênçãos é maior que as bênçãos e os milagres, pois as bênçãos servem apenas para essa vida, mas Deus é eterno, deseje sua presença aqui na terra e desfrute dela também lá no céu. Como humanos vemos com olhos humanos, há guerras espirituais que nos envolvem, Deus é espírito (João 4:24), os bastidores só Ele sabe, e somente Ele pode agir, a salvação a que os discípulos referiam não era no plano físico, embora eles esperassem que fosse (Lucas 24:21), eles não sabiam que ela seria conquistada no reino espiritual. Não peça aquilo do qual você não tem conhecimento, busque conhecê-lo, busque a revelação de Deus, busque sua graça, pois somente ela nesta vida nos basta.